MIRA Scene Brief
Onde isto entra no Mira
Cadeia narrativa, em ordem: /mira-premise-forge, /mira-concept-storyteller,
/mira-story-architect, /mira-design-audience-journey, /mira-direct-slide-sequence,
/mira-direct-scene, /mira-direct-cinematic-motion, /mira-scene-brief. Depois o
/mira-animator (ou o /mira-cine-animator, no deck cinematográfico) escreve a animação, um slide
por vez.
Etapa 8, e é a última que produz texto. Recebe Slide Score, Encenação e Motion Score. Entrega um briefing por slide.
Idioma e formatação seguem agents/_shared/idioma.md. Travessão é proibido em qualquer texto.
O problema que esta skill existe para resolver
A cadeia produz cerca de 28 mil palavras de direção antes de qualquer imagem existir. Quem desenha o slide chegava lendo 13 mil palavras acumuladas para produzir uma cena, e o efeito medido não era um slide melhor: era um slide genérico, porque ninguém decide bem com 13 mil palavras na frente.
A troca é essa: a cadeia continua inteira, mas ela para de ser lida. O implementador recebe cerca de 180 palavras que bastam, e só elas.
Isso só funciona se o briefing for autossuficiente. Briefing que precisa de nota de rodapé, de "veja o Slide Score para o resto" ou de explicação do autor por fora não passou, ele apenas empurrou o problema para a frente.
O teste que define se um briefing está pronto
Não é contagem de palavras, e fixar um número vira corte por esporte, que estraga mais do que resolve. O teste é:
Um slide gerado só com este briefing sai bom, sem ninguém explicar nada por fora?
Se o autor precisou completar de boca, faltou no briefing. Se o implementador teve que abrir a cadeia, faltou no briefing. É verificável e não depende de contar palavra.
Como referência prática, e não como teto: os briefings validados têm cerca de 180 palavras, contra 320 do slide equivalente no Slide Score. O ganho não veio de encurtar, veio de escolher.
Formato do briefing, nove campos, mais um décimo só de deck cinematográfico
Todos obrigatórios. Campo vazio é decisão não tomada, e ela vai reaparecer como invenção do implementador.
| Campo | O que traz | Erro comum |
|---|---|---|
| Título de tela | o texto literal que vai aparecer | escrever o assunto em vez da frase |
| Função dramática | o que o público sente ao entrar e ao sair | "explicar o conceito", que não é função |
| Âncora de entrada | o que já está em cena, herdado do slide anterior | "nenhuma" quando não é o primeiro |
| Âncora de saída | o que fica, e onde, para o próximo começar dali | descrever sem dizer a POSIÇÃO |
| Objetos em cena, com o nome real | o que se desenha, nomeado como a coisa é | "um elemento representando dados" |
| História em três tempos | começo, virada, consequência | três tempos que são o mesmo tempo |
| Loop | o que repete, e o repouso antes de reiniciar | esquecer o repouso, e o loop vira nervoso |
| Temperamento | sereno, natural ou tenso |
tenso por padrão, que é o vício |
| Proibições | o que não pode aparecer nesta cena | deixar vazio quando a cadeia proibiu algo |
| Cinema (só deck cinematográfico) | a direção de cinema DESTE slide, destilada do Motion Score e da Encenação | omitir o campo e a câmera do deck inteiro morrer no caminho |
O campo Cinema só existe quando o deck tem o mira-cinema.js e o implementador é o
/mira-cine-animator. Ele traz, em até 6 linhas: os cues de câmera do slide (tipo, alvo com posição
no quadro, beat, duração e razão narrativa de cada um, prontos para virarem marcadores
@MIRA:FOCO), os planos de profundidade com a oclusão declarada, e a intenção de atmosfera se
houver. Sem chamada de API e sem código: é direção em texto, como o resto do briefing. Este campo é
o único caminho pelo qual a câmera do Motion Score chega em quem escreve o código; sem ele o deck
cinematográfico sai sem câmera, que foi o defeito medido.
Quando existir conceito alinhado, ele entra como referência
Alguns decks têm storyboard/concept-brief.md e quadros em storyboard/approved/. Isso nasce
quando o autor pede explicitamente o /mira-concept-align e o /mira-storyboard, porque a ideia
estava confusa. É fluxo alternativo, não o caminho normal, e a maioria dos decks não tem.
Não existindo, ignore esta seção: nada muda.
Existindo, acrescente a cada briefing uma seção curta, com o que vale naquele slide:
## Conceito aprovado
- **Quadro:** `storyboard/approved/slide-03.svg`
- **Intenção:** mostrar que a distância para a fonte original está aumentando
- **Elementos obrigatórios:** a fonte original permanece visível em quadro
- **Interpretações proibidas:** não sugerir que o modelo foi corrompido de fora
Quadro sai de approved/; Intenção é o visual_intent daquele quadro; os outros dois saem do
concept-brief.md. Slide sem quadro correspondente recebe Quadro: sem quadro correspondente, e os
outros campos trazem o que vale para o deck inteiro.
Teto de 150 palavras, senão o briefing volta a ser grande demais e o defeito que esta skill veio consertar volta junto.
Isto é referência para quem desenha, não portão: briefing sem a seção não é inválido, e nada
trava por causa dela. Quem quiser conferir se a referência chegou nos slides roda
npx mira-animator storyboard verify <deck>, e o comando só relata.
E um cabeçalho para o CONJUNTO, uma vez só, não por slide:
- tema do deck;
- direção aprovada;
- elemento de continuidade: a coisa que atravessa os slides e muda de função entre eles;
- a frase que trava o método: cada briefing é autossuficiente, quem desenha recebe só o dele.
A âncora é o campo que não pode falhar
Os outros oito descrevem uma cena. A âncora é o único que liga uma cena à outra, e é ela que separa um deck de cenas bonitas sem história.
Regras, e são numéricas:
- A âncora de saída de um slide é, literalmente, a âncora de entrada do seguinte. Se as duas frases não descrevem a mesma coisa no mesmo lugar, a continuidade não existe.
- Âncora tem POSIÇÃO. "A árvore de arquivos" não é âncora. "A árvore de arquivos vazia, no lado direito do quadro" é.
- Âncora é um objeto em cena, nunca um conceito. "A sensação de dúvida" não ancora nada.
- O primeiro slide não tem entrada, o último não tem saída. Qualquer outro que tenha um dos dois vazios é erro.
Escrever a âncora obriga a olhar dois slides ao mesmo tempo, coisa que nenhuma etapa anterior da cadeia faz. É o passo mais caro desta skill e o motivo dela existir separada.
Fluxo
1. Ler a cadeia inteira, uma vez
É a única etapa que tem esse direito, e é o que compra o direito de todas as outras não terem.
2. Achar o elemento de continuidade
Um objeto que aparece em vários slides e muda de função entre eles. No deck validado era uma árvore de arquivos: vazia e incômoda no primeiro, preenchida como resposta no segundo, comparada com outra no terceiro.
Se não houver nenhum, pare e diga. Um deck sem elemento de continuidade não tem o que ancorar, e o problema é da história, não do briefing.
3. Escrever um briefing por slide
Na ordem do deck, porque a âncora de saída de um é a entrada do outro e escrever fora de ordem produz âncoras que não fecham.
4. Conferir o encadeamento
Leia só os campos de âncora, do primeiro ao último, ignorando o resto. Tem que ler como uma frase contínua. Se travar em algum ponto, é ali que o deck vai parecer picotado na tela.
5. Entregar
Um arquivo em references/briefings-de-cena.md do deck, e o aviso ao /mira-animator de que ele
recebe um briefing por vez, nunca o arquivo inteiro.
Antes de passar o bastão, mande a lista de objetos ao /mira-asset-scout. Ele devolve, por
objeto, desenhar, buscar SVG de fonte aberta ou pedir ao autor, e essa tabela vai colada no briefing
do slide. Objeto nomeado sem origem declarada é o que produz figura humana desenhada à mão.
Regras que valem sobre tudo
- Nome real, não metáfora, quando a direção pediu a coisa real. Se o Motion Score diz "mostrar a
coisa real", os objetos são
terminal,árvore de arquivos,prd.md. Não "um elemento que representa a estrutura". - Proibição herdada é obrigatória. Se a cadeia proibiu métrica de produtividade, número de tempo economizado ou a expressão "agente de IA", isso desce para o campo de proibições de cada slide que poderia cair nessa tentação. O implementador não leu a cadeia e não tem como saber.
- Nada de câmera, easing, cue nem API em deck comum. O briefing diz o que acontece e o que se
sente. Como filmar é do Motion Score, e escrever o código é do
/mira-animator. Em deck cinematográfico a câmera viaja no campo Cinema, porque o implementador não recebe o Motion Score: descartá-la ali é descartá-la do deck. Continua sem API e sem código nos dois casos. - Um briefing não menciona outro. "Como no slide anterior" quebra a autossuficiência, que é a única coisa que esta skill entrega. A continuidade viaja pela âncora, que é autocontida.
- Esta skill não escreve HTML. Se entregar código, descarte e peça o briefing.
Quando NÃO usar
- Deck de um slide. Sem slide vizinho não existe âncora, e a destilação não paga o passo. Mande o
Motion Score direto para o
/mira-animator. - Consertar um slide que já existe. É
/mira-animator. - Antes do Motion Score. Sem ele o briefing não tem loop nem temperamento, e vai inventar os dois.