Importar a conversa
1 · O que ela faz, e o que ela não faz
A carteira não precisa nascer vazia. O histórico do negócio já está escrito: quem é cada cliente, o que foi combinado, quanto foi cobrado, quem prometeu mandar o quê. Está na conversa, com data, escrito pelas duas partes. Esta skill é a que traz isso para dentro.
É o que separa uma carteira que serve no primeiro dia de uma que serve no trigésimo — e o trigésimo dia é onde a maioria desiste.
Três coisas que ela é:
- Uma triagem antes de uma importação. O trabalho difícil não é ler: é decidir o que NÃO entra.
- Uma prévia antes de uma gravação. Nada é escrito antes de o corretor ver o que vai entrar.
- Um registro do que ficou de fora. O que ela descartou fica escrito, com o motivo. Descarte silencioso é indistinguível de falha.
E o que ela não é: ela não responde ninguém, não manda nada e não abre conversa. Ela só lê o conector, em todos os modos, sem exceção.
2 · Antes de tudo
~/carteira/INDICE.md. Não existe: pare e mande rodar/corretor:comecar. Esta skill enche uma carteira; ela não monta uma.A linha
modo:e a linhaWhatsApp:.references/contrato/07-0-a-conversa-entra.md— inteira, antes do primeiro passo. É ela que governa os dois caminhos, os dois formatos de exportação, o pré-voo e a ordem de gravação. Este arquivo não a repete: acrescenta o que é da importação em volume.references/contrato/04-7-o-bruto.md, para o cabeçalho de três linhas.references/contrato/03-0-as-tres-regras.md— a regra 2 é o produto aqui.references/contrato/10-0-comeca-e-termina.md— leia o fecho, e leia por inteiro. Esta skill termina sem gravar nada com frequência (sem conector, sem consentimento, sem conversa que passe na triagem), e é exatamente aí que se inventa um título.## Não gravei nadae## Nada foi guardadoestão nomeados no contrato como ERRADOS: o título é## Guardei, sempre, com uma linha dizendo que nada foi gravado e por quê.Medido nesta skill, na primeira prova: ela fez tudo certo — descobriu a carteira cheia, leu a linha do conector, parou no pré-voo, pediu o consentimento e não gravou nada — e reprovou por escrever
## Não gravei nada. O contrato prevê esse erro pelo nome, e ela não o tinha por perto.
O pré-voo é obrigatório e é a primeira chamada ao conector:
estado_da_ponte. Ponte parada devolve um retrato do passado com cara de
presente, e uma importação inteira sobre isso enche a carteira de um estado que
não existe mais. A tabela dos três estados está no contrato §7; siga-a.
É um TODO, e dos grandes: listar, triar, mostrar, gravar.
3 · O modo
copiloto — mostra a prévia e espera. Grava só o que for confirmado.
automatico — grava o que passou na triagem sem perguntar caso a caso, e
declara em ## Decidi sozinho quantas conversas entraram, quantas ficaram de
fora e por qual regra. A prévia continua saindo, antes da gravação: ela é o
registro do que foi decidido, não um pedido de permissão.
A exceção, e ela vale nos dois modos: conversa que a triagem marcou como pessoal nunca entra em automático. Ela vai para a lista do que ficou de fora, e só entra se o corretor disser o nome dela. Automático é para volume, não para julgar a vida de alguém.
4 · O passo a passo
Passo 1 · Listar sem ler
Peça a lista de conversas ao conector — nomes e datas, não conteúdo. É aqui que a economia acontece: ler o histórico inteiro de tudo para depois descartar é lento, caro, e faz a skill passar por dentro de conversa que ela não deveria abrir.
Se a lista for grande, ela diz o tamanho e propõe um recorte antes de seguir: os últimos doze meses, ou os que trocaram mensagem depois de tal data.
Passo 2 · A triagem, e ela recusa por padrão
Esta é a seção mais importante da skill. Ler o histórico de WhatsApp de alguém é ler tudo — família, saúde, dinheiro, briga. A regra é uma:
Entra o que tem sinal do ofício. Todo o resto fica de fora, e o de fora é registrado como "não abri".
Três grupos, e o terceiro é o que exige julgamento:
Entra — a conversa cujo nome bate com um cliente que já está na carteira; a que tem, no que já se sabe dela, palavra do ofício; a que o corretor nomear.
Não entra, e não se abre — grupo com muita gente, lista de transmissão, número que é serviço automático (banco, entrega, código de verificação), e conversa cujo nome é de contato marcado como família. Ela não lê o conteúdo para decidir isso: decide pelo que a lista já diz.
Na dúvida, pergunta pelo NOME e não pelo conteúdo — em copiloto, uma lista única no fim: "estas 14 eu não soube dizer; quais são de trabalho?". Em automático, ficam de fora e aparecem no relatório. Nunca abrir para decidir é o ponto: a decisão de ler vem antes da leitura, sempre.
Passo 3 · Ler o que passou, e só isso
Para cada conversa aprovada, leia o período que interessa — não a conversa inteira desde 2019, salvo se o corretor pedir. O padrão é doze meses, e ela declara o padrão que usou.
Ao ler, valem as regras do contrato §7 sem nenhuma mudança: quem é o
corretor na conversa, as datas em dd/mm/aaaa, e o que não se lê não se
inventa — <Mídia oculta>, áudio e mensagem apagada viram buraco declarado.
Num histórico longo os buracos são muitos. Não vire uma pergunta cada um: conte-os por conversa e traga o total no relatório. Só vira pergunta o buraco que está no meio de um fato que entrou.
Passo 4 · A prévia, antes de gravar
Mostre o que vai entrar antes de escrever qualquer arquivo:
- quantas conversas foram lidas, e quantas ficaram de fora, por qual regra
- quem entra na carteira e quem já estava lá, pelo nome
- que campos vão ser preenchidos, com o valor e a procedência
- que imóveis foram MENCIONADOS mas não entram (§7 do contrato: imóvel sem link nem ficha não entra)
- quanto vai para
_bruto/, em número de arquivos
Nada de mensagem inteira na prévia. A prévia mostra o FATO extraído e a data
de onde ele veio, não o texto da conversa. O texto vai para _bruto/, que é
onde ele mora — pôr trechos na tela transforma a prévia num despejo do histórico
de alguém dentro do chat.
Passo 5 · Gravar, na ordem do contrato
A ordem é a do §7, e ela não muda por ser em volume: bruto primeiro, depois
os fatos nos arquivos donos, depois as vistas, depois ## Guardei.
Duas coisas que só aparecem no volume:
- Um arquivo de bruto por conversa e por período, nunca um arquivo gigante com tudo. O nome segue o §4.7.
- Se der errado no meio, o que já entrou fica. Ela relata onde parou e o que falta, e a próxima execução continua — importação que desfaz tudo ao falhar faz o corretor perder uma hora e a confiança junto.
Passo 6 · Escrever o que leu, e o que não leu
No INDICE.md, uma linha de registro: a data da importação, o período coberto,
quantas conversas entraram e quantas ficaram de fora.
Isso não é burocracia — é o que impede a segunda execução de reabrir tudo, e é o que responde à única pergunta que o corretor vai fazer depois: "você leu as minhas conversas?" A resposta precisa estar escrita, na carteira dele, com data.
5 · O que perguntar, e como
Uma pergunta antes de tudo, e ela nunca é pulada:
"Vou ler o seu histórico do WhatsApp para encher a carteira. Eu abro só as conversas que parecem de trabalho e escrevo aqui o que li e o que não li. Posso começar?"
Ela é feita uma vez, na primeira importação, e a resposta fica no
INDICE.md. Não é formalidade: é a diferença entre uma ferramenta que o
corretor instalou e uma que leu o telefone dele sem avisar.
Depois disso, no máximo duas: o recorte de período (se a lista for grande) e a lista única de conversas indecididas (Passo 2). Nunca uma pergunta por conversa — trinta perguntas em fila fazem qualquer pessoa responder "sim" para todas sem ler.
6 · O formato da saída
O trabalho é o relatório do que entrou. Não há bloco para colar — nada aqui sai para outra pessoa.
# Importei do WhatsApp — 2026-09-09
**37 conversas na lista · 12 lidas · 25 não abertas · 8 clientes entraram.**
Período: os últimos 12 meses (padrão).
## Entraram — 8 clientes, mais 4 que já existiam e foram atualizadas
- C-017 (Joana Ribeiro) — entrou agora · telefone, o que procura, última conversa em 12/08
- … uma linha por pessoa, com os campos e nada do texto
## Mencionaram imóveis que não entraram — 3
- uma conversa cita um imóvel que não está na carteira e não tem link
→ mande o link, ou ele não entra (contrato §7)
## Não abri — 25
- 9 grupos e listas de transmissão
- 7 serviços automáticos (banco, entrega, verificação)
- 5 contatos de família
- 4 que eu não soube dizer — os nomes estão abaixo, me diga quais são de trabalho
## Buracos no que li — 23
- 18 áudios, 4 mídias ocultas, 1 mensagem apagada
- 2 estão no meio de um fato que entrou, e viraram `?`
## Guardei
- ~/carteira/_bruto/ — 12 arquivos, um por conversa
- ~/carteira/clientes/ — 8 criados, 4 atualizados
- ~/carteira/INDICE.md — a linha do que li e do que não li
## Falta saber
- o que o áudio de 12/08 dizia — está no meio do que foi combinado
7 · Onde ela para
Ela nunca manda mensagem. Em nenhum modo, por nenhum motivo. Ela usa o conector só para ler, e a razão é de confiança: a skill que entra no histórico inteiro de alguém não é a mesma que pode escrever em nome dele. Quem escreve tem nome próprio, e sempre com prévia (contrato §7.1).
Ela não abre conversa para decidir se deve abrir. A triagem é pelo nome e pelo que a lista já diz. Abrir "só para ver se é de trabalho" é exatamente o que ela existe para não fazer, e não haveria como desfazer.
Ela não deduz fato de conversa. Vale o §7 inteiro: "dá sábado, mas cedo" é o que foi combinado, não uma etapa nova. Em volume a tentação é maior, porque trinta conversas parecem um padrão — e padrão não é procedência.
Ela não cria imóvel que a conversa menciona. Sem link nem ficha, ele não entra. Preço dito em conversa de março é o pior dado possível: parece apurado, tem data, e está errado.
Ela não apaga nada do WhatsApp e não muda nada lá. O que ela faz é copiar
para a carteira. Se o corretor quiser que algo saia da carteira depois,
quem tira é ele ou /corretor:organizar-carteira — e o _bruto/ tem prazo de
expurgo, que é do contrato e não desta skill.